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05/12/2019

Somos projeto de mestrado!

10:50

Hoje tivemos uma ótima notícia: o Memória Musical do Sudoeste da Bahia também será um projeto de mestrado! Quando pensei em materializar uma ideia que tive lá no início dos anos 2000, quando ainda era um calouro do curso de História da UESB, juntando cartazes, fotos e reportagens sobre o que acontecia na cena rock da cidade, a intenção era a mesma: preservar a memória local, nesse nicho musical que eu mesmo fazia parte. Demorou muito tempo até criar este espaço, não sei explicar o porquê. Então, passei a pesquisar em meu próprio acervo de mídias CD, DVD, cartazes, folders, discos, etc, e publicar aqui, cumprindo a fase 1 descrita no texto de apresentação. Foi quando, da mesma forma que quando decidi criar o site (de repente, como num estalo), resolvi dar uma olhadinha no site da pós graduação em Memória: Linguagem e Sociedade da UESB. Pensei, então, em levar o projeto a esse novo patamar, quando surgisse a próxima seleção.

E assim foi: não demorou muito para ela ser publicada, então tive de imaginar um recorte mais específico, característica de uma pesquisa acadêmica, uma vez que o que fazemos aqui é amplo demais para caber numa pesquisa de mestrado. Depois de muito matutar, me veio o óbvio: a bandeira que eu sempre levantei, no contexto em que fiz parte: o rock autoral conquistense nas duas últimas décadas. Me incomoda muito ver a música autoral sendo jogada, cada vez mais, para escanteio. É uma enxurrada de shows-tributo, que gera renda rápida e quase sempre certa aos músicos e contratantes, mas um tiro no pé, se olharmos do ponto de vista do legado musical da região neste período histórico. Qual a produção musical conquistense nos últimos anos? Shows-tributo? Não temos realmente NADA a dizer, além de repetir o que já foi dito por outros? Não seria mais inteligente construir uma cultura para a música autoral?

Pela primeira vez na vida tive dificuldade em iniciar um texto. Não sei bem dizer o porquê, mas estava um tanto travado. Talvez o nervosismo de tentar algo novo e com um significado de peso. Mas consegui e fiquei até feliz com meu projeto. Durante todo o processo, minha companheira, Naiane, a quem dediquei várias músicas na Distintivo Blue, geógrafa e "ninja" na metodologia da pesquisa científica, me deu orientações valiosas. Entreguei toda aquela documentação, os projetos em cópias assinadas e anônimas, fiz as provas, esperei, esperei, esperei, enquanto dividia minha atenção com a graduação em Direito, que faço também na UESB atualmente. O resultado saiu na noite anterior ao previsto. Soube através de Marx Eduardo, professor de psicologia da UESB e vocalista da extinta banda Os Barcos, obviamente objeto de estudo no próprio projeto, e meu amigo Paulo Maurício, que acompanha minha trajetória desde 2012, ambos pelo WhatsApp. 

Um dos meus dilemas era (ainda é): será possível fazer, simultaneamente, uma graduação e um mestrado? Vai dar? Bom, se eu disser "não", automaticamente terei confirmada essa hipótese. Se disser "sim", ao menos terei a chance de provar sua veracidade. Bem, tentarei. Será difícil, mas, na própria música, descobri que a boa vontade faz milagres, assim como o inverso. Aqui no blog, constantemente atualizarei as etapas dessa trajetória. Vai dar certo, porque quero que dê!

Enfim, esta é a ótima notícia do momento. Espero que, desta forma, o Memória Musical do Sudoeste da Bahia tenha mais peso e relevância para seguir em frente, conseguindo mais apoio e viabilizando mais projetos originais (nesse período de criação do projeto do mestrado, também produzi projetos culturais que ainda aguardo resultado. Se der certo, em 2020 teremos a fase 3 - criação de conteúdo - já funcionando plenamente). Obviamente, precisamos da sua força: se tiver material guardado, entre em contato: nossa Memória Musical é coletiva.

04/11/2019

Distintivo Blue lança campanha de crowdfunding para gravação de novas músicas

11:30
A Distintivo Blue vai entrar em estúdio mais uma vez ainda neste ano! E você pode fazer parte de tudo isso colaborando agora com nosso novo projeto!

A Distintivo Blue (Vitória da Conquista-BA) é uma das principais representantes do blues autoral brasileiro, fora do eixo Rio-São Paulo. Com 10 anos de estrada recém-completados, prepara-se para entrar em estúdio mais uma vez, para a gravação de três faixas: "NJJJ", "Bucking Blues and Some Perky Loonies" e "O Andarilho", que serão distribuídas em todas as plataformas de música através do EP "The JackHammers Sound", em alusão ao projeto "The JackHammers", formado por I. Malförea (baixo, voz), Camilo Oliveira (guitarra, voz) e Nephtali Bitencourt (bateria, voz), atualmente se apresentando regularmente.

Por isso, precisamos da sua ajuda, fã que nos acompanha desde sempre, para pagar os custos com o estúdio, sediado aqui mesmo em nossa cidade. Note que o orçamento é BEM enxuto, por isso tentaremos fazer o melhor trabalho possível, gastando apenas o necessário. Não faremos campanha de divulgação ou nada do tipo: as músicas serão gravadas, e o processo de gravação será documentado por nós mesmos com nossas próprias câmeras e celulares, para a produção de um minidocumentário. DIY!

CLIQUE AQUI, contribua e compartilhe esta página. Só temos UM MÊS para arrecadar esses mil reais. Let's jam, Joes!


15/10/2019

HIPER BOM PREÇO (VITÓRIA DA CONQUISTA-BA) CAPTURANDO CÃES DE RUA E ENVIANDO PARA SUPOSTA ONG EM SALVADOR. ALTAMENTE SUSPEITO. VAMOS INVESTIGAR!

16:41
Hoje é 15/10/2019, às 15:37h. Me chamo Plácido Mendes e sou cantor. Agora há pouco eu estava com minha namorada carregando uma caixa grande e pesada e, para cortar caminho, passamos por dentro do estacionamento do HIPER BOM PREÇO VITÓRIA DA CONQUISTA, situado à Av. Rosa Cruz, em frente ao Centro de Cultura. Devido ao peso, paramos um pouco pra descansar, logo abaixo da ladeirinha para as pessoas entrarem na loja, em frente ao estacionamento da parte baixa do terreno (em frente ao posto).

Foi quando percebemos que haviam dois cachorros amarelos, de porte médio-grande deitados na areia do canteiro do estacionamento, e dois sujeitos uniformizados ao lado, com uma pick-up parada com a tampa aberta e uma grande caixa de transporte de animais. O que chamou a atenção primeiramente foi o fato de que, ao perceberem que paramos e viramos na direção deles (apenas para descansar, como disse. Ainda não tinha nem percebido nada demais, já que sempre vejo cães dormindo naquele canteiro), eles deixaram transparecer que nossa presença incomodava. Eles passaram a fingir que nada acontecia, como se esperassem que saíssemos. Foi quando um dos cães levantou e, cambaleando, caiu novamente ao chão. Estava DOPADO. O outro estava nas mesmas condições.

Nessa hora, me lembrei que vi, de relance, alguém no Instagram, alguns dias atrás, falando sobre alguma empresa que estava capturando cães e levando para Salvador, e que era muito suspeito. Pois bem: decidi ir até os dois sujeitos e perguntei: “para onde vão levar os cachorros?”. Um dos dois, já visivelmente irritado, disse que não iria fazer mal, que era pra uma ONG, e que a empresa não sujaria seu nome fazendo algo errado. Chamou mais atenção ainda, pois eu não perguntei em tom irônico ou algo do tipo. Apenas fiz uma pergunta tranquilamente e sem pedir muitos detalhes. Mas o jeito dele falar me pareceu MUITO suspeito.

Ele disse que o Hiper Bom Preço havia contratado a empresa para levar os cães a uma ONG em Salvador, pois eles estavam atacando os clientes. Perguntei qual era o nome da ONG. Ele me disse não estar autorizado a dizer. Perguntei o que ela faria com os animais. Ele, ainda mais irritado, disse que é uma ONG credenciada, legalizada e que a empresa não sujaria o próprio nome, disse novamente. Observei as marcas em seu uniforme: ORKIN e BRASPRAG. Pesquisando, descobri ser uma empresa de combate a pragas que, na Bahia, atua apenas na capital (https://www.orkindobrasil.com.br/). Infelizmente, eu havia esquecido meu celular em casa, e não pude fotografar ou gravar nada.

Na volta, decidi procurar o gerente do Hiper e perguntar sobre o assunto, pra ver se as respostas batiam. Fui recebido pelo Lucas, possivelmente um dos gerentes ou coordenadores. Ele me disse que a funcionária que sabia o nome da ONG não estava no momento, mas disse que os cães estavam atacando os clientes, e que eles procuraram o poder público e TODOS OS ABRIGOS DE ANIMAIS da cidade, e ninguém deu alguma resposta favorável, então contrataram uma empresa de controle de pragas, que levariam os animais a uma ONG em Salvador. Suas palavras foram mais ou menos assim: “a prefeitura disse não poder fazer nada, e que nós não poderíamos fazer nada aos cachorros, então contratamos uma empresa para isso”. Mais uma vez, quando perguntei o que essa tal ONG faria com os animais, a resposta foi parecida: “essa ONG é credenciada, legalizada”, sem responder o que perguntei. Saí de lá ainda sem saber o nome dessa ONG.

Devo enfatizar aqui que NÃO POSSO, COM AS INFORMAÇÕES QUE TENHO, AFIRMAR NADA. ISTO APENAS ME PARECE MUITO SUSPEITO, já que é de conhecimento de todos que qualquer ONG ou grupo de resgate de animais está SEMPRE lotado e carente de recursos, e que dificilmente alguma ONG no Brasil receberia animais indiscriminadamente dessa forma, dada a dificuldade natural que todas enfrentam. Essas pessoas estão capturando animais que podem ser de rua ou não (se você mora nas imediações, tome cuidado com seu cachorro) e levando silenciosamente a um lugar que não me foi revelado na primeira tentativa, o que, junto à atitude dos supostos funcionários da Orkim/Brasprag deixa AQUELA pulga atrás da orelha.


Tendo o histórico de atitudes de donos de mercado com relação aos animais que rodeiam (basta dar uma olhada nas notícias de alguns meses atrás, em outras partes do país) temos aqui no mínimo uma situação que deve ser esclarecida. Peço que repasse este texto e busque informações, vá ao Hiper Bom Preço e faça perguntas aos gerentes, até conseguirmos informações satisfatórias. Meu e-mail é placido@distintivoblue.com e gostaria de contar com mais gente para desvendar essa questão, já torcendo para que, ao menos exista essa tal ONG e que ela não esteja sacrificando ou maltratando os animais. Este texto será enviado por mim a diversas pessoas, incluindo a Imprensa. É direito do cliente e cidadão saber o que o Hiper Bom Preço está fazendo com os animais.

30/07/2019

Direito e ética: parâmetros fundamentais

13:10

Ética é um termo amplamente utilizado no dia-a-dia, sem despertar grande curiosidade: parece óbvio o consenso de que está ligada ao agir corretamente, demonstrando, aí, aqueles dotados ou não do chamado bom caráter. Tal conceito, cunhado pelo senso comum e passado adiante há gerações, embora superficialmente, não dista do conteúdo originário.

Aristóteles desenvolveu consistente estudo acerca da ética, enquanto forma essencial de se alcançar a eudamonia, o seu conceito ideal de vida, equilibrada e moderada. A partir de então, diversos foram os pensadores que se ocuparam do desenvolvimento do conceito de ética, contribuindo para a formação social atual, demonstrando ser o senso comum muito mais profundo do que aparenta.

A ética, basicamente, pode ser abordada sob três aspectos: 1) a ciência da moral, sendo esta o conjunto de costumes que servem de referência a determinados grupos sociais (religiosos, étnicos, regionais, etc.), explicitando o que será ou não aceitável, criando, assim, características essenciais que distinguirão este daquele grupo, inclusive no aspecto jurídico, como veremos adiante; 2) A ética como ramo da filosofia que aborda a moral sob o viés da razão, e 3) como a ciência da conduta, ou seja: o estudo do comportamento social de acordo com as regras morais de cada grupo.

Cabe, então, atentar para que não se confunda a ética com a moral, já que não é possível isolar uma da outra: enquanto a ética possui um caráter universalista (a lei que se aplique a todos, segundo Kant), com princípios básicos, objetivando uma vida satisfatória generalizada, a moral é voltada a grupos, ou melhor: é criada por grupos, podendo, assim, possuir valor oposto de um lugar para o outro. A moral mostra-se, portanto, com importante fator para a diferenciação cultural em vários níveis.

Entrando, agora, ao campo do Direito, que também pode ser definido por mais de um aspecto, verifica-se íntima ligação entre ética, moral e Direito, reconhecendo-os como pilares da civilização ocidental, inspirando cada vez mais estudos, entrelaçando-os constantemente.
No universo das interações sociais, o Direito é uma ordenação de relações interpessoais e, em razão disso, mister se faz compromisso de suas normas com princípios éticos. Funciona, pois o Direito como regulação de conflitos de interesses e de vontades, permitindo com isso a convivência entre pessoas e mesmo a sobrevivência do grupo. (MELO, 2005, p. 3)
O próprio vocábulo direito, oriundo do baixo latim, remete àquilo que é reto, probo, ou seja: como um instrumento para conduzir a sociedade ao justo (a virtude perfeita de Aristóteles), confundindo-se, portanto ao conceito de ética. O Direito, além de a própria ciência que estuda o Direito, refere-se ao conjunto de normas de conduta que devem ser seguidas por todos aqueles que se encontram sob a jurisdição de determinado ente moderador, ou seja: o Estado.

Temos aqui, portanto, o ponto crucial de diferenciação entre ética e direito: embora ambos voltem-se ao dever-ser, estabelecendo normas universais para o bem de todos, o direito traz em si o caráter imperativo, onde o Estado obriga a todos que o obedeçam, sob pena de sanção, proporcional à desobediência, partindo de multas e advertências até a privação da liberdade, ou mesmo da vida.

É de conhecimento comum que a norma jurídica tem origem em regras morais, uma vez que o Direito deve-se mostrar tão vivo quanto a sociedade que rege. Da mesma forma, o Direito também surge de preceitos éticos:
(...) a própria existência de uma norma é, desde logo, o resultado de uma decisão ética. Num determinado momento, o legislador achou preferível criar uma norma em vez de deixar um espaço vazio, ou decidiu modificar uma norma anterior, alterando o regime existente ou estabelecendo uma exceção. (ARY, 2014, p. 542)
A ética, enquanto regra universal, também torna-se matéria-prima do Direito, quando este assume princípios, além do meramente positivado. Este foi um dilema enfrentado pelos juristas do período positivista, uma vez que este, desprendendo-se da fundamentação religiosa,
passou de um sistema dinâmico e aberto, para um sistema tendencialmente estático e fechado, justificado pelo duplo mito da racionalidade e segurança jurídica. Este movimento culminou com a “Teoria Pura do Direito” (Reine Rechtslehre) de Hans Kelsen, que marcou profundamente o Direito continental europeu. A ordem jurídica é concebida como um sistema perfeito, pois encontra em si mesmo os seus mecanismos de correcção, e independente porque imune às influências externas contaminadoras de sua racionalidade própria. (ARY, 2014, p. 540-41)
Após a II Grande Guerra, superada a supremacia do juspositivismo, sobretudo com o impressionante exemplo do totalitarismo, passou-se a abordar o Direito não apenas sob o aspecto positivo, mas também sob o aspecto material, readmitindo os princípios éticos como também protagonistas na busca pelo justo, assumindo-os como princípios do Direito.

Por fim, o Direito atrelou-se à ética também no aspecto formal, através de normas escritas com aspectos de princípios, tendo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), que refletiu em diversas normas em todo o mundo, como na Constituição brasileira de 1988. Além disso, há exemplos mais específicos, como o do decreto Nº 1.171/1994, que positiva o Código de Ética dos Servidores Públicos do Poder Executivo Federal, sendo, por sua vez, replicado em estados e municípios. Assim, tornou-se comum haver, ainda que não sob a forma de lei especificamente, códigos de ética para profissionais de determinadas áreas ou empresas, mantendo, entre si, pontos cruciais em comum.

REFERÊNCIAS
ARY, ANTÓNIO. Ética e Direito: Que Diálogo? Revista Portuguesa De Filosofia, vol. 70, no. 2/3, 2014, p. 539–552. JSTOR. Disponível em: < www.jstor.org/stable/43151557>. Acesso em: 15 jun. 2019.

GARCIA, Maria. Direito e Ética no Mundo Contemporâneo. Direito ao Silêncio e o Caso Enron. Revista do Instituto dos Advogados de São Paulo. São Paulo, vol. 9/2002, p. 135-151, jan – jun 2002, DTR/2002/552.

______ 3. Ética, Moral e Direito. Escola de Governo. YouTube. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=NVdgp7XZl2w>. Acesso em: 18 jun. 2019.

MELO, Osvaldo Ferreira de. Ética e Direito. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 10, n. 812, 23 set. 2005. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/7324>. Acesso em: 16 jun. 2019.